ANTÓNIO GIL in «A CÉU ABERTO» (Prémio de Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores ano de 1999, edição Difel 2002)
alisas as pregas do vestido, as ondas aquietam-se, o mar agora cansado, parece repousar no teu regaço.
*
o navio que te afastava suspendi atando / uma ponta de seu fumo a uma nuvem / outra a sua chaminé
ainda assim está, balouçando, sempre que nessa direcção a memória sopra).
domingo, 7 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
António Gil in «Ciclo Marítimo», poema publicado na Revista Plágio, ano de 2002
IMAGENS: Aguarelas do autor
Às vezes rebenta-me o mar nos lábios
na voz , nos reveses da pele e da língua
no reaceso vento que, de ocidente, o impele
contra o mangue: rebenta-me o mar no sangue
na garganta e o demente furor que o decanta...
...rebenta-me nos órgãos
na linfa, às vezes o mar entra-me pela boca
entranha-se no ar que respiro, na voz,
na melodia que persigo,
emaranha-se nas veias, rebenta-me:
consigo senti-lo nas têmporas
no pulso, no sal do suor que destilo...
...e contra os esporos
rebenta-me: na restinga da tarde
entra-me pelos poros, pelas pupilas
sinto-o no sal que no sabor distingo
nas papilas, às vezes no odor que transpiro
rebenta-me o mar nos vasos
entra-me pelos tímpanos
e em todos os sentidos, em todos os casos:
rebenta-me...
IMAGENS: Aguarelas do autor
Subscrever:
Comentários (Atom)


