ANTÓNIO GIL, in « FERRAMENTA ZINE nº1...Quando o fim da tarde entretece na alvenaria a enorme sombra dos carvalhos, os sons da cidade esvaem-se , atraídos pela chama alaranjada das janelas e o riso das crianças escorrega como areia nas mãos de um menino que brinca de costas para sua mãe triste: é a essas horas que, numa cidade que desde o primeiro dia lhe parecera familiar, um qualquer transeunte se há-de descobrir estrangeiro e ao chegar ao seu desolado quarto, o mais pequeno dedo de sua infinita tristeza premirá o interruptor como se com tal gesto pudesse apagar, por uma noite inteira, a via láctea...
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